Harrison Ford está completamente comprometido com seu trabalho como produtor, acha que seu “caso cinematográfico” com Steven Spielberg ainda não terminou, espera que George Lucas termine logo “aquela coisa que ele faz quando se tranca lá no rancho dele e fica pensando em novas histórias” e, sobretudo, está entusiasmadísismo com o novo projeto que ele começa a filmar em abril: "The Dying of the Light", um roteiro original de Paul Schrader sobre um agente da CIA que, ao ser diagnosticado com uma doença degenerativa que ataca sua memória, luta desesperadamente para resolver seus casos pendentes antes que seja tarde demais. Além do fato do roteiro trazer a ilustre assinatura de Schrader ("Taxi Driver", "Touro Indomável", "A Marca da Pantera", "A Última Tentação de Cristo", "A Costa do Mosquito", "Temporada de Caça"), Ford está particularmente empolgado com a perspectiva de trabalhar com o jovem diretor dinamarques Nicolas Winding Refn, responsável pela cultuada trilogia Pusher e por um dos filmes mais criticamente aclamados (e pouco vistos) de 2009, Bronson. “Ele é fenomenal”, diz Ford.
Ford lançou-se no complicado business da produção em 2002, com o thriller de guerra “K 19 The Widowmaker”. Oito anos depois, achou outro projeto que, como ele diz, tinha “as qualidades que que queria para expandir a visão como ator”: “Medidas Extraordinárias”, um drama dirigido por Tom Vaughn a partir do livro não-ficção "The Cure", de Geeta Anand, previsto para estrear em 14 de março no Brasil. Ford vive o fictício Dr Robert Stonehill, um cientista mal humorado mas brilhante, que aceita fazer parceria com o executivo John Crowley (Brendan Fraser) na busca de uma cura para a doença genética e fatal que acomete dois de seus filhos. Crowley é verdadeiro, assim como sua história. O Dr. Stonehill, diz Ford, “é uma mistura de vários cientistas e pesquisadores que trabalharam com Crowley ao longo dos anos, e cujos elementos eu usei para compor meu personagem. Era uma grande oportunidade para mim, porque foi por isso que me propus a investir em produção, pela possibilidade de desenvolver personagens para mim, nos quais acredito e com os quais posso trabalhar.”
O Dr. Stonehill de Ford tem de fato muito de seu criador: a bem estudada fachada hostil que esconde um bom coração, a paixão por rock dos anos 1960 e 70, a pescaria como hobby. A principal diferença pode estar nas escolhas automobilísticas: o Dr. Stonehill dirige uma pickup que já viu melhores dias, enquanto Ford chegou para a entrevista num Porsche Carrera creme, reluzente de novo. “Eu queria sobretudo entender profundamente a ciência atrás do tema, a pesquisa genética de verdade, de forma a executar convicentemente as ações e escolhas do personagem. É claro que o tema é importante, porque poucas pessoas sabem o que é o Mal de Pompe. Mas não adiantava ficar fazendo discursos seríssimos porque ninguém ia prestar atenção mesmo. O desafio era achar um modo de dramatizar a questão de forma a torna-la parte de uma narrativa.”


